Sinusite: conheça os sintomas
e saiba como tratá-la

A sinusite aguda é uma doença relativamente comum em idade pediátrica, mas pode ser facilmente confundida com outras doenças. Descubra como identificá-la e tratá-la. 

A sinusite aguda é uma inflamação da mucosa dos seios perinasais (maxilar, frontal, etmoidal e esfenoidal) que, em idade pediátrica, é mais comum nas crianças mais velhas e nos adolescentes. Os sintomas mais frequentes são: 

  • Febre; 
  • Congestão nasal, rinorreia (corrimento nasal excessivo) e tosse persistentes; 
  • Odontalgia (dor de dentes); 
  • Cefaleias frontais; 
  • Anorexia e fadiga. 

À primeira vista, a sinusite aguda pode ser confundida com um resfriado comum. Segundo a Dr.ª Susana Paço Lima, pediatra no Hospital CUF Porto, a forma mais simples de diferenciar as duas doenças é a persistência de rinorreia e tosse, que caracteriza a sinusite aguda. “A rinorreia, com secreções serosas ou seromucosas, muito espessas – podendo ser mucopurulentas, quando há uma subinfeção bacteriana – dura vários dias ou semanas. O mesmo acontece com a tosse, que é provocada pela descida das secreções da cavidade nasal para a orofaringe”, explica a especialista, que é formadora do Curso Afeções ORL na Criança e Adolescente da Follow Pharma School. 

Na maioria dos casos, a sinusite aguda é causada por um vírus respiratório, com destaque para o rinovírus. As bactérias são responsáveis por apenas cerca de 5% dos casos. 

Diagnóstico da sinusite aguda 

O diagnóstico é sobretudo clínico e passa pela observação dos principais sintomas. A dor à palpação dos seios perinasais é um dos sinais de alerta, bem como a descrição pela criança ou adolescente de que sente mais dor quando se baixa e levanta. A TAC (tomografia axial computorizada) dos seios perinasais não é realizada por rotina e está reservada para os casos em que existe suspeita de complicações. 

Dado tratar-se de uma infeção nos seios perinasais, a sinusite aguda, quando não tratada, pode atingir regiões particularmente sensíveis da face ou até o sistema nervoso central. Entre as principais complicações desta doença estão: 

  • Celulite periorbitária ou orbitária; 
  • Abcesso dentário; 
  • Trombose do seio cavernoso; 
  • Abcesso frontal; 
  • Meningite ou empiema intracraniano. 

Como tratar a sinusite aguda? 

No que respeita ao tratamento, uma vez que só 5% dos casos estão associados a infeção bacteriana, o antibiótico apenas deve ser utilizado quando existe mau estado geral, sinais ou sintomas de doença grave e risco aumentado de complicações. 

Nestes casos, as opções são a amoxicilina simples em alta dose, a associação de amoxicilina com ácido clavulânico ou, em caso de hipersensibilidade do doente, clindamicina ou cefalosporina. “A opção pelo antibiótico vai depender da idade do doente, do tipo de apresentação da sinusite e do historial prévio de medicação”, sublinha Susana Paço Lima. 

Nos restantes casos, a terapêutica passa essencialmente pelo tratamento dos sintomas e da inflamação com recurso a: 

  • Analgésicos e antipiréticos (paracetamol e ibuprofeno), caso haja febre; 
  • Lavagem nasal com água do mar ou soro fisiológico (em crianças com mais de seis meses); 
  • Aspiração nasal de secreções; 
  • Corticoides nasais (ex.: fluorato de fluticasona), durante um máximo de 4 ou 5 dias; 
  • Reforço da hidratação; 
  • Repouso. 

Segundo a pediatra, a mobilização das secreções é um aspeto essencial do tratamento da sinusite aguda. “Uma forma muito eficaz de conseguir um alívio em termos de secreções nasais é através do calor húmido, no banho. A criança ou adolescente pode inclinar a cabeça para a frente e para os lados para mobilizar as secreções que estão nos seios perinasais”, refere a especialista. 

//Artigo por Luís Garcia

Agosto 2022

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